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Flip 2026: os destaques do festival e por que Socorro Acioli merece sua atenção

Festa Literária Internacional de Paraty 2026 com destaque para a autora Socorro Acioli

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, aconteceu entre os dias 23 e 26 de julho e voltou a colocar a cidade histórica no centro do calendário cultural brasileiro. Neste post, reunimos os principais destaques da edição deste ano e explicamos por que uma das autoras presentes, a cearense Socorro Acioli, merece um lugar de destaque na sua lista de leitura, e talvez também na biblioteca da sua empresa.

Um recorde de público em Paraty

A edição de 2026 reuniu cerca de 40 mil pessoas, um público maior do que o registrado no ano anterior, mesmo com uma redução no investimento privado captado para o evento. A programação teve 21 mesas no palco principal e uma quantidade ainda maior de atividades espalhadas pelo Centro Histórico da cidade, incluindo o crescimento das chamadas Casas Parceiras, espaços de programação paralela e gratuita que passaram de 35 para 46 neste ano.

Entre os nomes presentes na programação estiveram autoras e autores como Conceição Evaristo, Itamar Vieira Junior, Angela Davis, Wole Soyinka e a própria Socorro Acioli, além de convidados internacionais como o escritor Hisham Matar e a autora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida.

A homenagem a Orides Fontela

Como acontece todos os anos, a Flip escolheu uma autora para homenagear em sua programação. Em 2026, a homenageada foi a poeta Orides Fontela, cuja obra permaneceu por muito tempo pouco conhecida do grande público, mesmo depois de sua morte. A homenagem é também uma forma de apresentar essa poesia densa e precisa a uma nova geração de leitores.

Quem é Socorro Acioli

Entre os destaques da programação paralela, esteve a escritora cearense Socorro Acioli, que participou de uma mesa ao lado da autora Monique Malcher, com mediação de Bianca Santana, na programação do Sesc na Flip.

De Fortaleza para o mundo

Nascida em Fortaleza, Socorro Acioli é jornalista, mestre e doutora em Literatura pela Universidade Federal Fluminense. Sua trajetória na escrita começou ainda na infância, e desde os anos 2000 ela vem construindo uma obra extensa, com mais de vinte livros publicados entre literatura infantil, juvenil e romances para adultos. Um de seus livros, Ela tem olhos de céu, recebeu o Prêmio Jabuti de literatura infantil.

A Cabeça do Santo, o livro que nasceu de uma oficina de García Márquez

Em 2006, Socorro Acioli foi a única brasileira selecionada para uma oficina de roteiros ministrada pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez, em Cuba. Foi ali que nasceu a semente do romance que se tornaria seu maior sucesso: A Cabeça do Santo, inspirado em um fato real de uma cidade do interior do Ceará, onde a cabeça de uma estátua inacabada de Santo Antônio ficou décadas separada do resto do corpo.

O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras e ganhou edições no Reino Unido, nos Estados Unidos e na França, e deve virar filme nos próximos anos. Seu romance seguinte, Oração para desaparecer, também fez sucesso de crítica e público, tendo sido um dos livros mais vendidos em uma edição anterior da própria Flip.

Por que vale a pena conhecer essa autora agora

A obra de Socorro Acioli tem um traço bastante particular: ela mistura o imaginário popular nordestino, elementos de realismo fantástico e histórias profundamente humanas, sem nunca soar distante ou difícil de ler. É literatura brasileira contemporânea de qualidade, mas também acessível, o tipo de livro que conquista tanto quem já lê bastante quanto quem está retomando o hábito da leitura.

Literatura brasileira também é benefício corporativo

Festivais como a Flip são um bom lembrete de que a literatura brasileira está viva, diversa e cheia de nomes que merecem mais visibilidade dentro das empresas, não só nas livrarias. Trazer autoras como Socorro Acioli para o acervo de uma biblioteca corporativa é uma forma simples de aproximar os times de uma literatura de qualidade, com histórias que representam a diversidade cultural do país.

Quer incluir autoras e autores brasileiros de destaque na biblioteca da sua empresa? Fale com o time da Kisoul e conheça nossas soluções de curadoria.

Ficha rápida da autora

Nome: Socorro Acioli

Nascimento: Fortaleza, Ceará, 1975

Obras de destaque: A Cabeça do Santo, Oração para desaparecer, Ela tem olhos de céu

Indicado para: quem gosta de literatura brasileira contemporânea, realismo fantástico e histórias do imaginário nordestino

artigo por: Débora Maciel

Bom dia, inverno: a nova travessia de Tamara Klink, agora contra o tempo

Capa do livro Bom dia, inverno, de Tamara Klink, com ilustração de veleiro no gelo do Ártico

Tem livro que a gente lê para se divertir. Tem livro que a gente lê e sai um pouco diferente do outro lado. Bom dia, inverno, da navegadora e escritora paulistana Tamara Klink, é dos dois ao mesmo tempo.

Depois de se tornar a pessoa mais jovem da América Latina a cruzar o Atlântico sozinha, Tamara topou um desafio ainda mais radical. Passar oito meses isolada, presa num pequeno veleiro ancorado num fiorde congelado da Groenlândia, durante o inverno polar. Sem sol por semanas. Sem outra pessoa por perto. Só ela, o gelo e o silêncio.

Do que fala o livro

Em Bom dia, inverno, Tamara troca a travessia do espaço pela travessia do tempo. Ela já tinha cruzado o oceano, agora o desafio era atravessar meses de isolamento absoluto sem saber exatamente o que encontraria do outro lado. O relato mistura diário de bordo, reflexão e observação da natureza: auroras boreais, visitas inesperadas de raposas e focas, o mar virando terra sob o gelo, os dias virando noite.

No meio disso tudo, uma pergunta atravessa o livro inteiro. O que sobra de nós quando tiramos tudo: companhia, rotina, estímulo, distração?

Uma leitura sobre coragem, silêncio e recomeço

O medo de não estar pronta

Em vários trechos, Tamara descreve o medo genuíno de não estar preparada para o que viria. Ela seguiu mesmo assim. É um relato honesto sobre encarar o desconhecido, sem promessas fáceis de que tudo vai dar certo. Isso é o que torna o livro tão bom de ler: não é uma cartilha de superação, é uma experiência real, contada com muita sinceridade.

O valor do silêncio

Um dos pontos mais bonitos do livro é ver como Tamara aprende a conviver consigo mesma quando não há mais nada para preencher o dia. Numa época em que a maioria de nós vive cercada de notificações e estímulos o tempo todo, ler sobre alguém que escolheu, de propósito, meses de silêncio absoluto tem um efeito quase contemplativo. É o tipo de leitura que dá vontade de largar o celular por um tempo.

Por que esse livro combina com a biblioteca da sua empresa

Biblioteca corporativa não precisa ser só livro de gestão, liderança e produtividade. Ela também é, e talvez principalmente, um benefício de bem-estar e lazer. Um bom livro de viagem, aventura ou reflexão pessoal como Bom dia, inverno dá ao colaborador exatamente aquilo que muita gente busca fora do trabalho: uma boa história, um respiro, um convite a pensar em outra coisa por algumas horas.

É esse equilíbrio, entre livros que ajudam no dia a dia profissional e livros que simplesmente fazem bem, que a Kisoul busca em cada acervo que monta.

Quer levar títulos como este para dentro da sua empresa? Fale com o time da Kisoul e conheça nossas soluções de biblioteca corporativa.

Ficha rápida do livro

Indicado para: quem gosta de relatos de viagem, aventura e reflexão pessoal

Título: Bom dia, inverno

Autora: Tamara Klink

Editora: Companhia das Letras

Tema central: isolamento, coragem, autoconhecimento

artigo por: Débora Maciel

Os melhores livros de Agatha Christie!

Os dois melhores livros de Agatha Christie

Para celebrar a data de nascimento dessa grande autora, hoje apresentamos os melhores livros de Agatha Christie, escritora mais vendida de todos os tempos, que já vendeu mais de 2 bilhões de livros em todo o mundo. Os títulos foram escolhidos em uma pesquisa realizada pelo próprio site da autora para saber os preferidos do público mundial. Os melhores livros de Agatha Christie são ideais para quem ama romance policial e intrigas. 📚⁠

O primeiro livro é ‘E não sobrou nenhum‘ (anteriormente publicado com o título ‘O caso dos dez negrinhos’), lançado originalmente em 1939 e ainda é um dos livros mais lidos em todo o mundo, além de ser considerado um marco literário. Com avaliação Kisoul de 4.9*, Agatha Christie compõe um rol de personagens inesquecíveis e detalha seus traços psicológicos que se tornam cada vez mais exacerbados em função do confinamento, do medo de se tornar a próxima vítima e da suspeita que recai sobre todos. Nesse jogo de gato e rato, a autora quebra as premissas até então vigentes do gênero investigativo e muda, para sempre, as regras do jogo.

O segundo livro eleito entre os livros de maior sucesso de Agatha Christie é ‘Assassinato no Expresso Oriente‘, lançado em 1934 e com avaliação Kisoul de 4.8*. Em meio a uma viagem, Hercule Poirot é surpreendido por um telegrama solicitando seu retorno a Londres. Então, o famoso detetive belga embarca no Expresso do Oriente, que está inesperadamente cheio para aquela época do ano. Pouco tempo após a meia-noite, o excesso de neve nos trilhos obriga o trem a parar. Na manhã seguinte, o corpo de um dos passageiros é encontrado, golpeado por múltiplas facadas. Com os passageiros isolados por conta da neve, e tendo um assassino entre eles, a única solução é que Poirot inicie uma investigação para descobrir quem é o criminoso ― antes que se faça mais uma vítima. Assassinato no Expresso Oriente já recebeu duas adaptações aos cinemas. O primeiro filme baseado na obra é de 1974, dirigido por Sidney Lumet. Em 2017, ganhou uma nova e moderna versão dirigida por Kenneth Branagh.

E você, concorda que ‘E não sobrou nenhum’ e ‘Assassinato no Expresso Oriente’ são os melhores livros de Agatha Christie? Comenta aqui sua opinião!

William Finnegan – Dias Bárbaros: Uma vida no surfe | Kisoul

“Ele havia ficado tão envolvido na construção de frases que quase se esqueceu dos dias bárbaros quando pensar era como um borrão de cor em uma página.” – Edward St. Aubyn, Mother’s Milk.
Como a maioria dos livros que me encantam, sinto que esse não esconde seu enredo atrás de surpresas. Não há necessidade de um final imprevisto. Rapidamente me tornei cúmplice da obsessão de Finnegan pelo surfe. O surfe foi a primeira coisa que me conectou ao livro. Mas logo me surpreendi com as inúmeras referências literárias que Finnegan se utiliza para descrever suas vivências e sua compreensão do mundo. Para quem ama literatura, gosta de aventuras ou se interessa um pouco por geopolítica, compartilhar da vida do surfista fica fácil. Finnegan cresceu surfando junto à contracultura dos anos 60, passando sua infância entre a Califórnia e o Havaí. Sua paixão por livros e por escrever o levaram a universidade, mas o diploma não era o suficiente para encarar a tal vida adulta. O que lhe trazia calma era surfar.
Ilhas do Pacífico Sul.
Então ele parte para o Pacífico Sul em busca de ondas com seu companheiro de surfe Bryan Di Salvatore. Uma amizade sinceramente descrita entre muitas aldeias e ondas. Dias bárbaros. O tempo vai passando despercebido. Dá para aprender bastante sobre as diferentes maneiras que uma onda se forma, como ela é afetada pelos ventos e marés; sobre condutas na água, respeito ao mar, pranchas, estilos de surfe e tudo que o rodeia. Os momentos no oceano são detalhados com uma vasta riqueza de palavras, indo muito além do vocabulário comum ao surfe como lip e outside – que eu pouco conhecia. A percepção de Finnegan para o que acontece fora da água também se expande a cada onda. Seu olhar improvável deixa claro que o surfista é um grande observador e que seus diários sobreviveram milagrosamente às viagens. Como era de se esperar, aos poucos suas súbitas incertezas sobre continuar vivendo em busca de ondas mundo afora ao invés de estar próximo à família e focar em sua carreira de jornalista se tornam mais frequentes. Essas incertezas automaticamente se transpõem para minha vida, mas de maneira reversa. Ainda há muitas ondas a serem surfadas. Ao terminar de ler Dias Bárbaros, fiquei interessado nas colunas que Finnegan escreve para a revista New Yorker sobre conflitos internacionais como guerras civis travadas no Sudão ou o crime organizado no México. Pretendo ler seu livro sobre quando foi professor em uma escola para negros durante o apartheid na África do Sul. Direitos humanos, conflitos internacionais e geopolítica são coisas que me intrigam. As publicações de seu grande amigo Bryan e de alguns autores citados no livro também me despertaram curiosidade. Mas sem dúvidas, nunca estive com tanta vontade de cair no mar.
Finnegan em Noriega – San Francisco.
Título: Dias Bárbaros – Uma vida no surfe Autor: William Finnegam Tradutor: Edmundo Barreiros Editora: Intrínseca Ano: 2017 Número de páginas: 432 Sua empresa tem uma biblioteca Kisoul e você quer ler esse livro? Nos mande um ‘oi’ que levamos ele para você =)